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Empresas Familiares

Empresas Familiares

Desafios do Mundo Moderno

Por: Marcus Maida

| DEFINIÇÕES

EMPRESA:

Asquine nos presenteia com a conceituação de empresa a partir de um fenômeno poliédrico, qual seja: o perfil subjetivo, empresa como empresário; o perfil funcional, empresa como atividade empresarial; perfil objetivo ou patrimonial, empresa como estabelecimento; e o perfil corporativo, empresa como instituição.

Vivante identifica-se mais com aspecto econômico, entendendo por empresa um organismo que combina vários fatores de produção – natureza, trabalho e capital.

Para o Prof. Miguel Reale, a palavra empresa deve ser empregada no sentido de atividade desenvolvida pelos indivíduos ou pelas sociedades a fim de  promover a produção ou circulação de riquezas.

O código civil define de forma indireta o conceito de empresa onde passa a tratar a partir do     Livro II, Artigo 966 e seguintes.

Art. 966 – Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.

Para fins didáticos adotaremos a conceituação triangular de empresa, apresentada pela Profª. Dra. Maria Cristina Zucchi, onde temos:

Estabelecimento: ângulo objetivo – Art. 1.142 CC

“complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária”

Empresário: ângulo subjetivo – Art. 966 CC

“empresário é aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços”

Atividade: ângulo funcional

“ a empresa pressupõe o exercício de uma atividade econômica organizada, visando a produção e circulação de bens ou serviços”

FAMÍLIA:

O termo “família” é derivado do latim “famulus”, e significa  o conjunto  de escravos doméstico sujeitos ao “paterfamilias”.

Etimologicamente:

Latim famulus = que serve, lugar em função de;

Latim faama = casa;

Latim famulo = do verbo facere, a indicar que faz, que serve.

Historicamente, o termo família, comporta grupo socialmente organizado gerido por um membro de destaque, levado a esta posição por usos e costumes.

Juridicamente família é a base da sociedade e possui proteção especial do estado, conforme prevê a Constituição Federal de 1.988.

No Brasil, o conceito de família sofreu uma evolução ao longo dos últimos anos, passando do conceito de “família instituição”, com forte influência do Direito Romano e do Direito Canônico, fundada no aspecto matrimonializado, patriarcal, hierarquizado, heteroparental, biológico, como função de produção e reprodução e caráter institucional, para o conceito de “família instrumento” pluralizada, democrática, igualitária, hétero ou homoparental, biológica ou socioafetiva, com unidade socioafetiva e caráter instrumental (FARIAS e ROSENVALD 2014).

Para fins deste estudo,  família será considerada como grupo de indivíduos, organizados ou não, que possuem qualquer grau de parentesco entre si, e caso não, unidade socioafetiva.

EMPRESA FAMILIAR:

LEONE (2005) conceitua a empresa familiar pela observação dos seguintes fatores: iniciada por membros de uma família; membros de uma família participando da propriedade e da direção; valores institucionais identificando-se com um sobrenome de família ou com a figura de seu fundador; sucessão ligada ao fator hereditário.

A empresa familiar comporta administração por parte de pessoas alheias à família, contudo, que seguem as determinações e diretrizes determinadas por esta.

Em alguns casos, tais diretrizes são definidas pelo conselho de administração familiar e transferidas para a execução dos demais órgãos executivos da empresa.

| PILARES FUNDAMENTAIS PARA A BOA GESTÃO DE UMA EMPRESA FAMILIAR

1. EDUCAÇÃO

  Educação formal, teórica e prática, e educação continuada.

2. PRUDÊNCIA

  Cuidados nas avaliações de riscos inerentes aos negócios e suas reverberações na empresa e na família.

3. ACEITAÇÃO

  Compreender e aceitar as diferenças entre as pessoas.

 4. COMUNICAÇÃO CLARA

  Transmitir informações claras, verbais e não verbais, evitando mensagens contraditórias.

5. TRANSPARÊNCIA

  Manter de forma absolutamente clara os caminhos que serão trilhados pela empresa, seus percalços e conquistas.

| PROBLEMÁTICAS ESPECÍFICAS DAS EMPRESAS FAMILIARES

1. CONFUSÃO ENTRE EMPRESA E FAMÍLIA

2. DIFICULDADES DOS ENFRENTAMENTO DE QUESTÕES INTERPESSOAIS

3. RESISTÊNCIA À REORGANIZAÇÃO EMPRESARIAL

4. FALTA DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO E PLANEJAMENTO DE SUCESSÃO

5. AUSÊNCIA DE MEIOS QUE PROMOVAM A TRANSPARÊNCIA DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS

6. CONFUSÃO FINANCEIRA

7. SÍNDROME DO “MIDAS”

8. FALTA DE PROFISSIONALIZAÇÃO

9. MEDO DA DISTRIBUIÇÃO DE FUNÇÕES E COMPARTILHAMENTO DE RESPONSABILIDADES POR PARTE DO GESTOR (DONO)

10. RESISTÊNCIA ÀS INOVAÇÕES ou “ Eu sempre fiz assim e funcionou! ”.

| ARMADILHAS DA GESTÃO DE UMA EMPRESA FAMILIAR

1. CENTRALIZAÇÃO

  A centralização demasiada de informações pode dificultar a tomada de decisões em momentos críticos.

2. EXCESSO DE INFORMALIDADE

  Muitas vezes, o próprio gestor (dono) é o primeiro a quebrar as regras estabelecidas dentro da empresa. Isso destrói  a estrutura organizacional de qualquer empresa.

3. FALTA DE PROFISSIONALIZAÇÃO

  A profissionalização da empresa é essencial para que esta se torne duradoura.  Investimentos em educação são sempre os que trazem a melhor rentabilidade para uma empresa.

4. QUEBRA DA HIERARQUIA EMPRESARIAL

  A quebra da hierarquia empresarial ou a quebra de um processo por “ordem” do dono (ou de seu familiar), desestabiliza a unidade empresarial, cria desordem e gera insegurança para os colaboradores.

5. NÃO OBSERVAR A FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA e a RESPONSABILIDADE SOCIAL

  A função social da empresa é distribuir renda através da geração de empregos e fazer a economia girar através da produção de bens e serviços. De uma empresa, familiar ou não, dependem direta ou indiretamente as famílias de todos os seus colaboradores,  quer sejam os empregados ou fornecedores.  A responsabilidade para com estes colaboradores deve sempre muito bem conduzida. Aspectos da responsabilidade social também não devem ser negligenciados, sob pena de suas consequências serem danosas para a empresa.

6. NÃO ATENDER ÀS EXIGÊNCIAS TÉCNICAS, FISCAIS E TRIBUTÁRIAS

  Deixar de pagar impostos, ou não atender as exigências técnicas (Ex: sanitárias) são capazes de provocar verdadeiros estragos na empresas.

7. NÃO PLANEJAR

  A falta de planejamento, para curto, médio e longo prazo, é a principal armadilha para a gestão de uma empresa familiar. Aqui incluo, estratégia, marketing, investimentos, posicionamento de mercado e sucessão.

| CHAVES PARA O SUCESSO DA GESTÃO DE UMA EMPRESA FAMILIAR

1. DEFINIR “QUEM É QUEM”

  A definição de “quem é quem” dentro da empresa e “quem faz parte” da empresa é essencial. É a definição de funções, deveres e direitos de cada membro da família dentro da estrutura da empresa.

2. REGRAS CLARAS PARA REMUNERAÇÃO

  A remuneração de cada membro da família pode (e deve) variar de acordo com sua responsabilidade e função dentro da estrutura da empresa. A remuneração não deve se confundir com a distribuição de lucros relativa às cotas societárias de cada membro.

3. ESTABELECER RESTRIÇÕES AO USO DOS BENS DA EMPRESA

  Não é só porque a empresa é sua que você pode fazer o que bem quiser com ela.  Estabelecer regras para a utilização de veículos, mão de obra e até do uso da marca são essenciais para evitar conflitos desnecessários. O que é da empresa, é da empresa!

4. CRIAR UM SISTEMA DE INCLUSÃO DE NOVOS MEMBROS DA FAMÍLIA E PRIMAR PELA CAPACITAÇÃO DESTES

  Em uma empresa familiar, sempre  existe a possibilidade de se empregar um primo ou parente distante que esteja precisando.  Para que isto ocorra sem criar conflitos ou sem colocar em risco a empresa é necessário manter regras claras e primar pela capacitação  destes.

5. EXPLORAR OS VALORES DA MARCA

  Um dos principais ativos de uma empresa familiar são os valores de sua marca. Expanda-os e explore-os. Faça com que eles mostrem a força da empresa.

6. EVITAR A CONFUSÃO FINANCEIRA

  Contas pessoais são pagas com dinheiro próprio e não com dinheiro da empresa, mesmo que este dinheiro seja  fruto do trabalho na empresa. A empresa não deve ser a financiadora dos desejos da família e de seus membros. 

A EMPRESA EXISTE PARA DAR LUCRO! 

| CONCLUSÃO

A empresa familiar é uma entidade que merece cuidado e atenção.

Em virtude de suas nuances, o profissional deve tomar extremo cuidado com as interrelações provenientes da estrutura familiar e que eventualmente colidam com a estrutura empresarial.

Por vezes, a figura do dono está acima do “bem e do mal” na empresa, e isso compromete substancialmente a gestão do negócio.

Em determinados casos, o dono premia aqueles que não atingiram as metas estabelecidas e não coíbe os maus hábitos.

Os interesses da empresa devem sempre ser colocado em primeiro plano.

É função do profissional – consultor, advogado, contabilista, e outros – é sempre que possível, alertar o empreendedor para os riscos de uma administração desajustada e pouco produtiva, e é imprescindível destacar que esta função deve ser sempre amparada na ética e nos princípios de boa fé.

NOTA: Aula e discussão de casos em Empresas Familiares

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Planejamento de Investimento de Capital

Por: Alexandre Hataka

Planejamento

Podemos definir planejamento da seguinte maneira: “o planejamento não diz respeito às decisões futuras, mas às implicações futuras de decisões presentes”, ou seja, em síntese o planejamento é a parte racional de uma ação.

A citação acima é feita por um dos maiores pensadores do mundo da Administração – Peter Drucker – que na maioria dos seus discursos, falados ou textuais, determina como princípio o planejamento, pois sem ele, todas as ações em qualquer âmbito serão aleatórias e o levarão a destinos inesperados.

O significado de planejamento é mais importante do que se realmente pensa, pois a falta dele dentro de uma organização, ou tomada de decisão, leva-o a reais possibilidades de aumento de custos, atrasos, descumprimento de contratos, perda de credibilidade e prejuízo.

Portanto planejar tem que ser encarado como um plano de voo, ou seja, sempre que você visualizar um destino, que será seu objetivo, procure compô-lo com o alinhamento de estratégias e metas detalhadas, afim de se prevenir surpresas e assim, fazer o que é certo e da maneira como tem que ser feito.

Investimento

Investimento pode ser definido como a aplicação de recursos com finalidade lucrativa, ou seja, fazer investida de recursos, dinheiro ou títulos, no que se acredita ter rentabilidade – remuneração pelo que foi investido – no futuro.

Basicamente o investimento deve estar alicerçado em três pontos: o risco, o tempo e o rendimento, desta forma o investimento está diretamente atrelado ao risco, que poderá variar conforme o seu planejamento e objetivo de ganho.

O rendimento esperado se dará na relação entre o tempo e o risco, pois a rentabilidade do que se é investido, será atingida na resultante de diversos fatores relacionados ao ciclo do negócio, como por exemplo: rentabilidade nas operações com vendas ligadas ao aumento da capacidade de produção (maior produtividade), ou ainda, na contrapartida, sem a necessidade de se passar pela produção, ou seja, simplesmente na valorização da sua marca, patente ou outro.

Capital

Definiremos para efeito deste estudo, que capital está diretamente ligado ao patrimônio, entendendo patrimônio como riqueza que nasce em diversas formas, como por exemplo: em moeda, em propriedades móveis, ou imóveis e semoventes.

Desta maneira, a aplicação do investimento se dará nos formatos acima descritos e este deverá ter características quantitativas, que determinarão – conforme sua grandeza – a participação percentual na quantia total investida.

Em síntese, capital sempre deverá ser entendido como um conjunto de meios, financeiros ou físicos, que deverão ser alocados com o objetivo de sustentar o investimento até que o mesmo gere rentabilidade.

Por onde iniciar

“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória você sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas”.

Com esta citação de Sun Tzu, podemos definir filosoficamente e estrategicamente o grau de importância de seu planejamento, principalmente quando este planejamento envolver objetivos relacionados ao investimento do seu capital, ou de terceiros.

No mundo organizacional é essencial a definição clara dos seus objetivos e metas, pois eles serão balizadores em seu percurso, já que inevitavelmente você recorrerá a eles nos momentos difíceis e incertos.

Estes momentos estarão diretamente relacionados ao grau de risco em atingir seus objetivos, ou seja, a rentabilidade buscada no escopo de seu planejamento, será graduada nas mesmas proporções do risco.

Desta forma, veladamente haverá uma equação ponderando seu retorno, onde serão constantes nesta função, que riscos menores terão rentabilidades menores e riscos maiores, terão rentabilidades maiores.

Definir objetivos que podem ser alcançados e metas quantificáveis, são premissas para qualquer planejamento, portanto prepare-se de uma maneira a compor o maior número de informações sobre os objetivos elencados em seu escopo.

Tenha em mente que é necessário arriscar-se, porém faça isso da forma mais concreta possível, tentando assegurar-se que seu investimento estará protegido e que o curso de seu planejamento seguirá em rumo da maior rentabilidade.

Resumo

Planejamento de investimento de capital é a fase mais importante do processo de investida de recurso com finalidade lucrativa, pois é o momento em que se busca atender da melhor forma os aspectos relacionados a como, onde e quanto investir de recurso. Desta maneira haverá total segurança no processo decisório e garantia da maior rentabilidade sobre a quantidade investida.

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Três questões

“O que importa afinal: viver ou saber que se está vivendo ?”

Clarice Lispector

 

Ao iniciarmos um novo projeto de consultoria, buscamos sempre instigar os colaboradores envolvidos a responderem três questões iniciais:

Quem sou eu?

O que eu faço?

Aonde eu quero chegar?

Num primeiro momento, pode parecer fácil responder tais questões.

Contudo, detendo-se à cada uma delas, os profissionais envolvidos no projeto são capazes de “dar-se conta” de uma série de outras questões  que no dia-a-dia passam despercebidas.

Auxiliar o profissional a se descobrir, entender o que de fato faz, e principalmente, aonde quer chegar, são pontos cruciais para o desenvolvimento de uma cultura organizacional focada em crescimento.

Neste caso, o crescimento pessoal dos colaboradores e a compreensão plena de suas funções e objetivos, auxilia a empresa em sua busca pelo sucesso.

Ter atenção aos colaboradores e incentivá-los a buscar a excelência em suas tarefas na empresa, e principalmente em sua vida, passa a ser um diferencial importante para as empresas.

Afinal, colaboradores felizes com suas atividades e com sua vida, rendem mais!

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Boas Festas

feliz_natal_hm

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11/12/2012 · 18:29